quinta-feira, 28 de julho de 2011

Comportamento humano em frases curtas

por Alberto Ronconi


Muitos buscam satisfação ao levar um estilo de vida frugal ou minimalista - para compensar a insatisfação de não terem nem serem capazes de ganhar dinheiro.

Muitos acham que ao conhecerem o máximo de histórias possíveis, lendo milhares de livros e assistindo a milhares de filmes, evoluirão mais rápido - quando o que fica em nós é aquilo que fazemos múltiplas vezes, e é com a repetição que nos aproximamos da excelência.

Muitos não estão satisfeitos com o que fizeram da própria vida - como última esperança rezam para que os filhos causem impacto positivo no mundo.

Muitos sentem-se velhos para começar do zero a viver como agora acham ideal - e não sabem que o passado é custo afundado; dentro de dois anos lamentarão ter perdido mais dois anos.

Muitos observam do seu galho a festa no galho vizinho, que parece mais animada - quando pulam para ele, a festa já está acabando e prestes a começar no galho antigo.

Muitos decidem de uma hora para outra mudar radicalmente seu modo de viver - e esquecem que as mudanças abruptas não costumam ser duradouras.

Muitos pensam que se experimentarem os 1001 melhores {lugares / comidas / vinhos / discos / filmes / livros} antes de morrer sua vida terá valido a pena - na verdade poderão simplesmente ter sido consumistas.

Muitos observam que hoje suas convicções mais fortes são diferentes das de ontem, que por sua vez são diferentes das anteriores - mas é comum acharem que desta vez elas não mudam mais.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Aposta de Pascal atualizada

por Alberto Ronconi


Vamos traduzir a Aposta de Pascal para a realidade atual.

Suponhamos dois mundos possíveis:

A) a vida inteligente na Terra foi criada unicamente a partir da sopa primordial de aminoácidos sujeitos a descargas elétricas, sendo a evolução natural da matéria bruta. Nossa consciência é a resposta da evolução aleatória para a busca da perpetuação. Nascemos, crescemos, alguns somos felizes e outros não, alguns aprendemos as leis da física, da economia e da psicologia e outros ficamos ignorantes para sempre. Se nossa existência não parece fazer sentido, procriamos, na esperança de que a dos descendentes faça. Quando a vida física cessar, todos os conhecimentos, emoções e experiências internos que tivemos serão para sempre apagados - obviamente permanece o que nós modificamos no mundo. Nossa consciência sumirá para todo o sempre, e para nós não haverá diferença se fomos bons ou maus, realizados ou frustrados, conhecedores dos meandros da vida ou absolutamente vegetativos. Embora pudéssemos ter deixado um legado para a humanidade, o aproveitamento dele seria nulo, pois os que ficaram também desapareceriam no breu eterno após de uma curta existência estéril. Qual a vida ideal a levar neste mundo? Mesmo nele a vida pode ser um jogo de soma positiva. Se tivemos mais alegrias que sofrimentos, mais bem estar que mal estar, se nossos esforços foram como um todo recompensados, valeu a pena viver. Sendo assim, podem estar certos os que preferem abundância de prazeres gastronômicos, ou uma overdose de sexo, ou ainda o constante torpor causado por substância psicotrópicas leves.

B) quando nossa vida física cessar, uma parte de nós continuará viva e consciente disso, carregando consigo as experiências (e talvez boas e más ações) realizadas. Se isso acontece, significa que durante a vida fomos um ser imaterial presente em um corpo material. Aparentemente nada impede que no futuro esse ser imaterial habite outros corpos materiais. O que importa é que todo o conhecimento adquirido durante a vida (ou pelo menos a essência dele) de alguma forma continua com esse ser imaterial, que terá subido um degrau da existência durante a vida física que acabou. Há que se supor que o ser imaterial viverá para sempre, caso contrário redundamos na hipótese A. Qual a vida ideal a levar neste mundo? A busca pelo conhecimento, por habilidades, por experiências construtivas, por ser útil aos semelhantes, mesmo que à custa de esforços intensos e privações dos prazeres físicos.

Agora vamos supor que a probabilidade do mundo A ser o verdadeiro seja de 99,9% e a do mundo B ser o correto seja de 0,1%. De que maneira vale a pena viver, conforme o indicado para mundo A ou B?

Caso o mundo A seja o correto, o benefício será 0, não importa a forma como vivemos, já que seremos destruídos e a vida que levamos não fará qualquer diferença na eternidade.
benefício   =   99,9 % x 0   +   0,1 % x 0   =   0

Se o mundo B for o verdadeiro, o benefício será 0 se vivermos de acordo com o mundo A (pois desperdiçamos a vida com prazeres mundanos e não evoluímos nada), ou então um número positivo, como por exemplo 1, se vivermos de acordo com o mundo B.
benefício   =   99,9 % x 0   +   0,1 % x 1   =   0,1%

Desta forma, não importa o quanto seja pequena a probabilidade do mundo B ser o verdadeiro, desde que seja maior que zero, vale a pena vivermos como se estivéssemos no mundo B.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Extremismo ou o caminho do meio?


Na vida, devemos ser extremistas ou seguir o caminho do meio?

Não devemos ser tão extremistas a ponto de, paradoxalmente, buscar sempre o caminho do meio.

Na macroescala de tempo, nada como viver da emoção e da razão, dos números e das letras, da companhia e da solidão, do bom e do ruim, mudando sempre que a situação não oferecer mais possibilidades de aperfeiçoamento. É com uma visão do todo, ansiando por uma percepção acertada do nosso objetivo no universo, que conseguimos dar aos problemas e às perspectivas de evolução a dimensão que lhes cabe.

O ótimo é inimigo do bom. Se buscamos ser excelentes em tudo, acabamos frustrados e não ficaremos sequer bons em nada. O perfeccionismo exacerbado leva à paralisia, pelo risco de falhar.

Mas na microescala de tempo é necessário certo extremismo. Um feixe de luz não consegue arrancar elétrons de um material se sua energia for baixa, não importa o tempo de incidência – é necessária uma energia mínima. Da mesma forma, não conseguimos mudar de patamar sem um esforço concentrado. O "mais ou menos" se funde à massa anônima e logo será esquecido para sempre, como se não houvesse existido. Entretanto cabe parcimônia, pois como uma mola, que é elástica até certo ponto mas rompe caso a deformação ultrapasse sua capacidade, o ser humano possui limites físicos e psicológicos.

O bom é inimigo do ótimo. Ficar em segundo lugar numa eleição presidencial ou numa disputa por um contrato é quase a mesma coisa que nada. Nesses casos a excelência faz toda a diferença.

O personagem Senhor Miyagi explicou certa feita: "quando se caminha pela rua, andar do lado esquerdo: bom. Andar do lado direito: bom. Andar pelo meio: te pegam que nem uva." Isso significa que a indecisão, ou a vontade de abarcar tudo, tendem a nos tornar medíocres. Por exemplo, nenhum profissional de sucesso é mediano naquilo que faz. Pode não ser bom em outras coisas, mas na sua área específica detém conhecimentos pontuais. Ou seja, o extremismo nos diferencia no mundo, torna-nos únicos.