Sistema de equações
(Alberto Ronconi)
Mundo
Sistema subdeterminado
Mais perguntas que respostas
Vida é fé, futuro e esperança
Mundo
Sistema sobredeterminado
Mais respostas que perguntas
Vida é acaso, niilismo e caos
Álgebra na justa medida
Tudo se encaixa no conto de fadas
Finito mundo estático
Em tudo o que evolui está
O furacão que desequilibra
As equações das variáveis
terça-feira, 30 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Viver é tão fácil
por Alberto Ronconi
Conselhos desse teor são fartamente encontrados em literatura de auto-ajuda, um tanto ridicularizada no meio acadêmico e cult. Naturalmente o hábito disseminado de deglutir um livro novo toda semana apenas acalma os pensamentos e move a imaginação, não produzindo mudanças duradouras. Mas a aplicação repetida e insistente de poucas e boas dicas advindas de autores competentes sem dúvida conduz a pessoa a uma posição bem acima da média.
Para viver uma vida tranquila, fértil e feliz, basta ter atitudes simples e muito lógicas.
Se alguém tem um problema, e ele não tem solução, fica tudo fácil: o problema já está solucionado; a solução é que ele não tem solução. A única coisa prudente a fazer é esquecê-lo totalmente e se preocupar com o resto da vida.
Se alguém pode sofrer ou não no futuro, dependendo dos acontecimentos, basta deixar para sofrer apenas se o acontecimento for desfavorável, quando ele acontecer; sofrer antes além de não ajudar nada só traz infelicidade.
Se alguém todos os dias fica uma hora revirando-se na cama depois do despertador tocar, só para se estressar chegando tarde no trabalho, é muito fácil: basta levantar logo ao primeiro toque. Além de ganhar uma hora no dia, evita-se a desagradável sensação de culpa que estraga o prazer de ficar na cama.
Se alguém está sempre tenso no carro, no metrô, na fila, andando a pé, e em todas as locomoções, por que não sair sempre alguns minutos antes para os compromissos? A vantagem será uma enorme leveza sobre os ombros e a desvantagem alguns minutinhos esperando o compromisso começar.
Se alguém tem algo desagradável a fazer e está adiando por livre vontade, além de um tempo prudencial de amadurecimento, apenas sofre desnecessariamente e desfruta com menos intensidade do que acontece de bom enquanto não resolve a questão. O que se faz: evita-se um sofrimento X para se ter em troca o mesmo sofrimento X e mais o sofrimento Y do adiamento.
Se alguém sabe que entrar em boa forma física certamente trará um prazer maior que o esforço necessário para fazê-lo, e mesmo assim não tem força de vontade, está em evidente contradição.
Algumas poucas vezes na vida conseguimos uma força "sobrenatural" e aplicamos alguma dessas ideias. Geralmente isso nos traz alívio, felicidade e uma promessa de agir sempre assim. Por que então, mesmo com o suporte da lógica e a evidência da comprovação, na maioria das vezes falhamos tão miseravelmente? Por que, paradoxalmente, viver é tão difícil?
Conselhos desse teor são fartamente encontrados em literatura de auto-ajuda, um tanto ridicularizada no meio acadêmico e cult. Naturalmente o hábito disseminado de deglutir um livro novo toda semana apenas acalma os pensamentos e move a imaginação, não produzindo mudanças duradouras. Mas a aplicação repetida e insistente de poucas e boas dicas advindas de autores competentes sem dúvida conduz a pessoa a uma posição bem acima da média.
Para viver uma vida tranquila, fértil e feliz, basta ter atitudes simples e muito lógicas.
Se alguém tem um problema, e ele não tem solução, fica tudo fácil: o problema já está solucionado; a solução é que ele não tem solução. A única coisa prudente a fazer é esquecê-lo totalmente e se preocupar com o resto da vida.
Se alguém pode sofrer ou não no futuro, dependendo dos acontecimentos, basta deixar para sofrer apenas se o acontecimento for desfavorável, quando ele acontecer; sofrer antes além de não ajudar nada só traz infelicidade.
Se alguém todos os dias fica uma hora revirando-se na cama depois do despertador tocar, só para se estressar chegando tarde no trabalho, é muito fácil: basta levantar logo ao primeiro toque. Além de ganhar uma hora no dia, evita-se a desagradável sensação de culpa que estraga o prazer de ficar na cama.
Se alguém está sempre tenso no carro, no metrô, na fila, andando a pé, e em todas as locomoções, por que não sair sempre alguns minutos antes para os compromissos? A vantagem será uma enorme leveza sobre os ombros e a desvantagem alguns minutinhos esperando o compromisso começar.
Se alguém tem algo desagradável a fazer e está adiando por livre vontade, além de um tempo prudencial de amadurecimento, apenas sofre desnecessariamente e desfruta com menos intensidade do que acontece de bom enquanto não resolve a questão. O que se faz: evita-se um sofrimento X para se ter em troca o mesmo sofrimento X e mais o sofrimento Y do adiamento.
Se alguém sabe que entrar em boa forma física certamente trará um prazer maior que o esforço necessário para fazê-lo, e mesmo assim não tem força de vontade, está em evidente contradição.
Algumas poucas vezes na vida conseguimos uma força "sobrenatural" e aplicamos alguma dessas ideias. Geralmente isso nos traz alívio, felicidade e uma promessa de agir sempre assim. Por que então, mesmo com o suporte da lógica e a evidência da comprovação, na maioria das vezes falhamos tão miseravelmente? Por que, paradoxalmente, viver é tão difícil?
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Você acredita em Deus?
por Alberto Ronconi
Não é incomum ouvir pessoas fazendo essa pergunta umas às outras, até de forma banal, e a resposta ser automática e não ir além da superfície. Para mim, é uma questão que envolve definições, longe de ser trivial.
A conversa não faz sentido se não há, entre quem indaga e quem replica, um conceito comum sobre Deus. Por exemplo, quem pergunta pode estar querendo dizer: "você possui uma fé dogmática na existência de um ser que criou o nosso planeta, criou o ser humano, criou os animais, fez revelações à humanidade por meio das escrituras, e interfere na vida das pessoas produzindo milagres?" E quem responde pode estar expressando: "sim, julgo plausível conceituar como Deus o conjunto das leis físicas e extra-físicas que regem a evolução do universo desde sua formação, sendo elas as responsáveis pela criação do nosso planeta junto com tudo o que há nele; entretanto não acho que Deus interfira de maneira individualizada em nossa vida, na qual tudo o que acontece é resultado da atuação imparcial das mesmas leis".
Outra questão interessante é o significado de "acreditar". Em primeiro lugar, dizer que acreditamos em algo só porque nossos pais (ou alguém que admiramos) também dizem não tem muito valor. Afirmar que acreditamos só por medo de receber uma punição divina em caso de hesitação não nos torna melhores que os que têm dúvidas. E dizer acreditar só para não ter que ficar pensando no assunto não condiz com o espírito investigativo, o qual vem se mostrando absolutamente vitorioso na história da humanidade. Ou seja, a própria atitude de acreditar é evasiva, escapista, preguiçosa. Sabemos ou não sabemos; acreditar é um falso saber.
Ficam por fim algumas questões de suma importância. Como nos prevenimos de apenas acreditar nos outros dizem ser a verdade? Como evitamos o ceticismo absoluto que nega tudo a priori? Como contornamos o agnosticismo que nos declara incapazes de lidar com o que transcende o mundo físico?
Não é incomum ouvir pessoas fazendo essa pergunta umas às outras, até de forma banal, e a resposta ser automática e não ir além da superfície. Para mim, é uma questão que envolve definições, longe de ser trivial.
A conversa não faz sentido se não há, entre quem indaga e quem replica, um conceito comum sobre Deus. Por exemplo, quem pergunta pode estar querendo dizer: "você possui uma fé dogmática na existência de um ser que criou o nosso planeta, criou o ser humano, criou os animais, fez revelações à humanidade por meio das escrituras, e interfere na vida das pessoas produzindo milagres?" E quem responde pode estar expressando: "sim, julgo plausível conceituar como Deus o conjunto das leis físicas e extra-físicas que regem a evolução do universo desde sua formação, sendo elas as responsáveis pela criação do nosso planeta junto com tudo o que há nele; entretanto não acho que Deus interfira de maneira individualizada em nossa vida, na qual tudo o que acontece é resultado da atuação imparcial das mesmas leis".
Outra questão interessante é o significado de "acreditar". Em primeiro lugar, dizer que acreditamos em algo só porque nossos pais (ou alguém que admiramos) também dizem não tem muito valor. Afirmar que acreditamos só por medo de receber uma punição divina em caso de hesitação não nos torna melhores que os que têm dúvidas. E dizer acreditar só para não ter que ficar pensando no assunto não condiz com o espírito investigativo, o qual vem se mostrando absolutamente vitorioso na história da humanidade. Ou seja, a própria atitude de acreditar é evasiva, escapista, preguiçosa. Sabemos ou não sabemos; acreditar é um falso saber.
Ficam por fim algumas questões de suma importância. Como nos prevenimos de apenas acreditar nos outros dizem ser a verdade? Como evitamos o ceticismo absoluto que nega tudo a priori? Como contornamos o agnosticismo que nos declara incapazes de lidar com o que transcende o mundo físico?
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Citações - Parte 1
No fim, tudo dá certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim - Fernando Sabino
Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno - Machado de Assis
Para que eu chore, é preciso que vós choreis também - Nicolas Boileau
O sentido da vida consiste em que não tem nenhum sentido dizer que a vida não tem sentido - Niels Bohr
A infelicidade é não saber o que se quer e fazer um esforço enorme para consegui-lo - D. Herold
Exige muito de ti e espera pouco dos outros. Assim, evitarás muitos aborrecimentos - Confúcio
Quer pouco: terás tudo. Quer nada: serás livre - Fernando Pessoa
O segredo da felicidade é ter baixas expectativas - Barry Schwartz
A capacidade de tolerância dos oprimidos provém de sua ignorância das alternativas.
As oportunidades sempre parecem maiores quando vão do que quando vêm.
Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida – provérbio chinês
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro - Clarice Lispector
Não posso lhe dar a receita do meu sucesso; mas a do fracasso é querer agradar a todos.
Não tomes um veneno só porque sabes qual o antídoto.
Somos o que fazemos repetidamente. Por isso o mérito não está na ação e sim no hábito - Aristóteles
Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade - Bertrand Russel
É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe - Epíteto
Você existe apenas naquilo que faz - Federico Fellini
O homem que sofre antes do necessário sofre mais que o necessário - Sêneca
Muitos homens fracassaram em se tornar pensadores somente porque a sua memória é demasiadamente boa - Nietzsche
A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído - Confúcio
A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos - Marx
Por enquanto, desisti de escrever - já que existe um excesso de verdade no mundo - uma superprodução que aparentemente não pode ser consumida! - Otto Rank
A maneira mais segura de jamais ter sequer um pensamento próprio é apanhar um livro toda vez que se tem um tempo livre - Schopenhaurer
É melhor vencermos a nós mesmos do que ao mundo - Sartre
Tu és metade vítima, metade cúmplice, como todos os outros - Sartre
É preciso ter a coragem de fazer como todo mundo para não ser como ninguém - Sartre
Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa - Steve Jobs
Não se deve se comparar com os outros, mas com o melhor que se pode ser.
Nosso país é o mundo, nossos compatriotas são toda a humanidade - William Garrison
Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las - Voltaire
Se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá em grupo - Provérbio Africano
O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções - Drauzio Varella
Fanatismo é sempre uma compensação para dúvidas ocultas - Jung
Toda felicidade vem do desejo pela felicidade alheia. Todo sofrimento vem do desejo individual de ser feliz - Shantideva
A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente - Kierkegaard
É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja - Demóstenes
Cuide do fim como você cuida do começo, e não fracassará - Lao Tsé
Triste não é mudar de idéia. Triste é não ter idéia para mudar - Francis Bacon
Distração é a única coisa que nos consola de nossas misérias, embora seja ela a maior de nossas misérias - Blaise Pascal
Todos nós nascemos originais e morremos cópias - Jung
Cada um pensa em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo - Tolstói
A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade - Kant
Nada está mais longe do homem ocupado do que viver; nenhuma coisa é mais difícil de aprender - Sêneca
A expectativa é o maior impedimento para viver: leva-nos para o amanhã e faz com que se perca o presente - Sêneca
Limitar-se a refutar uma filosofia significa não compreendê-la; é preciso ver a verdade que ela contém - Hegel
A liberdade nada mais é que a possibilidade de sermos melhores - Camus
Você nunca será feliz se continuar buscando o que é a felicidade. Você nunca vai viver se estiver procurando o sentido da vida - Camus
Você nunca será feliz se continuar buscando o que é a felicidade. Você nunca vai viver se estiver procurando o sentido da vida - Camus
Uma meta espiritual, que aponte para além do homem meramente natural e de sua existência terrena, é exigência incondicional para a saúde da alma - Jung
O presente poderia ser comparado a um longo filme em que a memória e a expectativa selecionam momentos fotográficos - Alain de Botton
É muito melhor fazer um pouco com certeza e deixar o resto para os que vierem depois do que explicar todas as coisas por conjectura sem estar certo de nada - Newton
É muito melhor fazer um pouco com certeza e deixar o resto para os que vierem depois do que explicar todas as coisas por conjectura sem estar certo de nada - Newton
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Comportamento humano em frases curtas
por Alberto Ronconi
Muitos buscam satisfação ao levar um estilo de vida frugal ou minimalista - para compensar a insatisfação de não terem nem serem capazes de ganhar dinheiro.
Muitos acham que ao conhecerem o máximo de histórias possíveis, lendo milhares de livros e assistindo a milhares de filmes, evoluirão mais rápido - quando o que fica em nós é aquilo que fazemos múltiplas vezes, e é com a repetição que nos aproximamos da excelência.
Muitos não estão satisfeitos com o que fizeram da própria vida - como última esperança rezam para que os filhos causem impacto positivo no mundo.
Muitos sentem-se velhos para começar do zero a viver como agora acham ideal - e não sabem que o passado é custo afundado; dentro de dois anos lamentarão ter perdido mais dois anos.
Muitos observam do seu galho a festa no galho vizinho, que parece mais animada - quando pulam para ele, a festa já está acabando e prestes a começar no galho antigo.
Muitos decidem de uma hora para outra mudar radicalmente seu modo de viver - e esquecem que as mudanças abruptas não costumam ser duradouras.
Muitos pensam que se experimentarem os 1001 melhores {lugares / comidas / vinhos / discos / filmes / livros} antes de morrer sua vida terá valido a pena - na verdade poderão simplesmente ter sido consumistas.
Muitos observam que hoje suas convicções mais fortes são diferentes das de ontem, que por sua vez são diferentes das anteriores - mas é comum acharem que desta vez elas não mudam mais.
Muitos buscam satisfação ao levar um estilo de vida frugal ou minimalista - para compensar a insatisfação de não terem nem serem capazes de ganhar dinheiro.
Muitos acham que ao conhecerem o máximo de histórias possíveis, lendo milhares de livros e assistindo a milhares de filmes, evoluirão mais rápido - quando o que fica em nós é aquilo que fazemos múltiplas vezes, e é com a repetição que nos aproximamos da excelência.
Muitos não estão satisfeitos com o que fizeram da própria vida - como última esperança rezam para que os filhos causem impacto positivo no mundo.
Muitos sentem-se velhos para começar do zero a viver como agora acham ideal - e não sabem que o passado é custo afundado; dentro de dois anos lamentarão ter perdido mais dois anos.
Muitos observam do seu galho a festa no galho vizinho, que parece mais animada - quando pulam para ele, a festa já está acabando e prestes a começar no galho antigo.
Muitos decidem de uma hora para outra mudar radicalmente seu modo de viver - e esquecem que as mudanças abruptas não costumam ser duradouras.
Muitos pensam que se experimentarem os 1001 melhores {lugares / comidas / vinhos / discos / filmes / livros} antes de morrer sua vida terá valido a pena - na verdade poderão simplesmente ter sido consumistas.
Muitos observam que hoje suas convicções mais fortes são diferentes das de ontem, que por sua vez são diferentes das anteriores - mas é comum acharem que desta vez elas não mudam mais.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A Aposta de Pascal atualizada
por Alberto Ronconi
Vamos traduzir a Aposta de Pascal para a realidade atual.
Suponhamos dois mundos possíveis:
A) a vida inteligente na Terra foi criada unicamente a partir da sopa primordial de aminoácidos sujeitos a descargas elétricas, sendo a evolução natural da matéria bruta. Nossa consciência é a resposta da evolução aleatória para a busca da perpetuação. Nascemos, crescemos, alguns somos felizes e outros não, alguns aprendemos as leis da física, da economia e da psicologia e outros ficamos ignorantes para sempre. Se nossa existência não parece fazer sentido, procriamos, na esperança de que a dos descendentes faça. Quando a vida física cessar, todos os conhecimentos, emoções e experiências internos que tivemos serão para sempre apagados - obviamente permanece o que nós modificamos no mundo. Nossa consciência sumirá para todo o sempre, e para nós não haverá diferença se fomos bons ou maus, realizados ou frustrados, conhecedores dos meandros da vida ou absolutamente vegetativos. Embora pudéssemos ter deixado um legado para a humanidade, o aproveitamento dele seria nulo, pois os que ficaram também desapareceriam no breu eterno após de uma curta existência estéril. Qual a vida ideal a levar neste mundo? Mesmo nele a vida pode ser um jogo de soma positiva. Se tivemos mais alegrias que sofrimentos, mais bem estar que mal estar, se nossos esforços foram como um todo recompensados, valeu a pena viver. Sendo assim, podem estar certos os que preferem abundância de prazeres gastronômicos, ou uma overdose de sexo, ou ainda o constante torpor causado por substância psicotrópicas leves.
B) quando nossa vida física cessar, uma parte de nós continuará viva e consciente disso, carregando consigo as experiências (e talvez boas e más ações) realizadas. Se isso acontece, significa que durante a vida fomos um ser imaterial presente em um corpo material. Aparentemente nada impede que no futuro esse ser imaterial habite outros corpos materiais. O que importa é que todo o conhecimento adquirido durante a vida (ou pelo menos a essência dele) de alguma forma continua com esse ser imaterial, que terá subido um degrau da existência durante a vida física que acabou. Há que se supor que o ser imaterial viverá para sempre, caso contrário redundamos na hipótese A. Qual a vida ideal a levar neste mundo? A busca pelo conhecimento, por habilidades, por experiências construtivas, por ser útil aos semelhantes, mesmo que à custa de esforços intensos e privações dos prazeres físicos.
Agora vamos supor que a probabilidade do mundo A ser o verdadeiro seja de 99,9% e a do mundo B ser o correto seja de 0,1%. De que maneira vale a pena viver, conforme o indicado para mundo A ou B?
Caso o mundo A seja o correto, o benefício será 0, não importa a forma como vivemos, já que seremos destruídos e a vida que levamos não fará qualquer diferença na eternidade.
benefício = 99,9 % x 0 + 0,1 % x 0 = 0
Se o mundo B for o verdadeiro, o benefício será 0 se vivermos de acordo com o mundo A (pois desperdiçamos a vida com prazeres mundanos e não evoluímos nada), ou então um número positivo, como por exemplo 1, se vivermos de acordo com o mundo B.
benefício = 99,9 % x 0 + 0,1 % x 1 = 0,1%
Desta forma, não importa o quanto seja pequena a probabilidade do mundo B ser o verdadeiro, desde que seja maior que zero, vale a pena vivermos como se estivéssemos no mundo B.
Vamos traduzir a Aposta de Pascal para a realidade atual.
Suponhamos dois mundos possíveis:
A) a vida inteligente na Terra foi criada unicamente a partir da sopa primordial de aminoácidos sujeitos a descargas elétricas, sendo a evolução natural da matéria bruta. Nossa consciência é a resposta da evolução aleatória para a busca da perpetuação. Nascemos, crescemos, alguns somos felizes e outros não, alguns aprendemos as leis da física, da economia e da psicologia e outros ficamos ignorantes para sempre. Se nossa existência não parece fazer sentido, procriamos, na esperança de que a dos descendentes faça. Quando a vida física cessar, todos os conhecimentos, emoções e experiências internos que tivemos serão para sempre apagados - obviamente permanece o que nós modificamos no mundo. Nossa consciência sumirá para todo o sempre, e para nós não haverá diferença se fomos bons ou maus, realizados ou frustrados, conhecedores dos meandros da vida ou absolutamente vegetativos. Embora pudéssemos ter deixado um legado para a humanidade, o aproveitamento dele seria nulo, pois os que ficaram também desapareceriam no breu eterno após de uma curta existência estéril. Qual a vida ideal a levar neste mundo? Mesmo nele a vida pode ser um jogo de soma positiva. Se tivemos mais alegrias que sofrimentos, mais bem estar que mal estar, se nossos esforços foram como um todo recompensados, valeu a pena viver. Sendo assim, podem estar certos os que preferem abundância de prazeres gastronômicos, ou uma overdose de sexo, ou ainda o constante torpor causado por substância psicotrópicas leves.
B) quando nossa vida física cessar, uma parte de nós continuará viva e consciente disso, carregando consigo as experiências (e talvez boas e más ações) realizadas. Se isso acontece, significa que durante a vida fomos um ser imaterial presente em um corpo material. Aparentemente nada impede que no futuro esse ser imaterial habite outros corpos materiais. O que importa é que todo o conhecimento adquirido durante a vida (ou pelo menos a essência dele) de alguma forma continua com esse ser imaterial, que terá subido um degrau da existência durante a vida física que acabou. Há que se supor que o ser imaterial viverá para sempre, caso contrário redundamos na hipótese A. Qual a vida ideal a levar neste mundo? A busca pelo conhecimento, por habilidades, por experiências construtivas, por ser útil aos semelhantes, mesmo que à custa de esforços intensos e privações dos prazeres físicos.
Agora vamos supor que a probabilidade do mundo A ser o verdadeiro seja de 99,9% e a do mundo B ser o correto seja de 0,1%. De que maneira vale a pena viver, conforme o indicado para mundo A ou B?
Caso o mundo A seja o correto, o benefício será 0, não importa a forma como vivemos, já que seremos destruídos e a vida que levamos não fará qualquer diferença na eternidade.
benefício = 99,9 % x 0 + 0,1 % x 0 = 0
Se o mundo B for o verdadeiro, o benefício será 0 se vivermos de acordo com o mundo A (pois desperdiçamos a vida com prazeres mundanos e não evoluímos nada), ou então um número positivo, como por exemplo 1, se vivermos de acordo com o mundo B.
benefício = 99,9 % x 0 + 0,1 % x 1 = 0,1%
Desta forma, não importa o quanto seja pequena a probabilidade do mundo B ser o verdadeiro, desde que seja maior que zero, vale a pena vivermos como se estivéssemos no mundo B.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Extremismo ou o caminho do meio?
Na vida, devemos ser extremistas ou seguir o caminho do meio?
Não devemos ser tão extremistas a ponto de, paradoxalmente, buscar sempre o caminho do meio.
Na macroescala de tempo, nada como viver da emoção e da razão, dos números e das letras, da companhia e da solidão, do bom e do ruim, mudando sempre que a situação não oferecer mais possibilidades de aperfeiçoamento. É com uma visão do todo, ansiando por uma percepção acertada do nosso objetivo no universo, que conseguimos dar aos problemas e às perspectivas de evolução a dimensão que lhes cabe.
O ótimo é inimigo do bom. Se buscamos ser excelentes em tudo, acabamos frustrados e não ficaremos sequer bons em nada. O perfeccionismo exacerbado leva à paralisia, pelo risco de falhar.
Mas na microescala de tempo é necessário certo extremismo. Um feixe de luz não consegue arrancar elétrons de um material se sua energia for baixa, não importa o tempo de incidência – é necessária uma energia mínima. Da mesma forma, não conseguimos mudar de patamar sem um esforço concentrado. O "mais ou menos" se funde à massa anônima e logo será esquecido para sempre, como se não houvesse existido. Entretanto cabe parcimônia, pois como uma mola, que é elástica até certo ponto mas rompe caso a deformação ultrapasse sua capacidade, o ser humano possui limites físicos e psicológicos.
O bom é inimigo do ótimo. Ficar em segundo lugar numa eleição presidencial ou numa disputa por um contrato é quase a mesma coisa que nada. Nesses casos a excelência faz toda a diferença.
O personagem Senhor Miyagi explicou certa feita: "quando se caminha pela rua, andar do lado esquerdo: bom. Andar do lado direito: bom. Andar pelo meio: te pegam que nem uva." Isso significa que a indecisão, ou a vontade de abarcar tudo, tendem a nos tornar medíocres. Por exemplo, nenhum profissional de sucesso é mediano naquilo que faz. Pode não ser bom em outras coisas, mas na sua área específica detém conhecimentos pontuais. Ou seja, o extremismo nos diferencia no mundo, torna-nos únicos.
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