por Alberto Ronconi
Faz sentido alguém se preocupar com a razão da própria existência? É um assunto que consome muitíssimo tempo para ser estudado e analisado, com o agravante de provavelmente não se chegar a uma conclusão definitiva. Será que procurar o sentido da vida não é uma perda de tempo que impede de viver realmente?
É digno de nota que nos interessamos mais pelo assunto nos momentos difíceis. Se estamos felizes e ativos e tudo vai bem, parece que não há essa disposição natural em pensar no porquê das coisas. Mas quando algo nos angustia, quando nos deparamos com o sofrimento, naturalmente vêm à tona indagações a respeito da nossa existência. A melancolia é um ímã que atrai a busca pelo sentido da vida. Resta saber se isso é bom ou ruim, real ou um engodo.
Os momentos de euforia atuam como psicotrópicos que nublam nossa visão para o que realmente importa? Ou a tristeza tem como efeito colateral crises existenciais que, tal como uma indisposição, passam naturalmente conforme voltamos ao normal?
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
O trabalho e o que realmente importa
por Alberto Ronconi
Qual a função do trabalho profissional? Apenas fornecer conforto para que possamos nos dedicar à vida no tempo que sobra? Ou ele tem uma função intrínseca, como se parte do sentido da vida fosse trabalhar?
Alguém com situação econômica folgada deveria trabalhar, ou estaria apenas desperdiçando seu tempo? Postergar a aposentadoria além do tempo necessário pode ser bom ou necessariamente quem faz isso está se privando da verdadeira vida?
Sem dúvida é possível evoluir muito ao trabalhar, para os que estiverem dispostos a isso. Organização, paciência, como lidar com a inveja, como trabalhar em equipe, como agir sob pressão, como aproveitar o tempo, como transformar uma ideia em realização. E pratica-se tudo isso recebendo um pagamento!
E quanto mais interessante for a função, mais conhecimentos e experiências para a vida podem ser adquiridos. Será que a sensação de criar algo grandioso, juntando pequenos pedacinhos e envolvendo várias pessoas para ver uma nova solução se formando passo a passo, não é semelhante à do artista quando finaliza uma obra?
O aprendizado para a vida não precisa necessariamente ser construído fora do trabalho. Com isso, não se pode dizer que a vida de quem se dedica inteiramente à profissão careça de sentido. Mas o foco precisa ser nas virtudes, e não no trabalho em si nos seus aspectos técnicos.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Escolas do pensamento filosófico recentes
Nos últimos dois séculos surgiram algumas doutrinas filosóficas voltadas para o sentido da vida do homem num universo em que Deus ou não tenha tal preocupação ou sequer exista.
As três filosofias a seguir listadas se apresentam como distintas entre si. Mais de um filósofo trabalhou em cada uma delas, cada um com seus próprios conceitos e ideias, de modo que não existe uma única definição precisa das doutrinas. Aqui se mostram os pontos de vista relacionados a um pensador em particular.
existencialismo ateu: sua proposição central é que "a existência precede a essência". Isso significa que primeiro o homem existe e toma consciência disso, e depois deve criar um sentido para a sua vida. Ou seja, o sentido para a vida existe, mas precisa ser criado pelo próprio homem. É como se os homens assumissem o papel de deuses, dando o rumo para si e para a humanidade. Nome proeminente: Sartre.
absurdismo: um sentido universal para a vida pode existir ou não, mas o homem não pode conhecê-lo, embora tenha a tendência a procurá-lo. O absurdo é causado pela existência simultânea do Universo e da mente humana. Não se aplicam regras éticas, pois elas são baseadas em justificações; o "tudo é permitido" não é um alívio, mas o amargo reconhecimento de um fato. O que cabe ao homem é aceitar o absurdo como inevitável para ser livre, e levar uma vida de revolta contra ele. Qualquer sentido particular que o homem queira dar para sua própria vida tem que levar em conta o absurdo. Nome proeminente: Camus.
niilismo: não existe o sentido da vida. O Universo e a existência humana não têm significado, propósito ou valor intrínseco. Nome proeminente: Nietzsche.
As três filosofias a seguir listadas se apresentam como distintas entre si. Mais de um filósofo trabalhou em cada uma delas, cada um com seus próprios conceitos e ideias, de modo que não existe uma única definição precisa das doutrinas. Aqui se mostram os pontos de vista relacionados a um pensador em particular.
existencialismo ateu: sua proposição central é que "a existência precede a essência". Isso significa que primeiro o homem existe e toma consciência disso, e depois deve criar um sentido para a sua vida. Ou seja, o sentido para a vida existe, mas precisa ser criado pelo próprio homem. É como se os homens assumissem o papel de deuses, dando o rumo para si e para a humanidade. Nome proeminente: Sartre.
absurdismo: um sentido universal para a vida pode existir ou não, mas o homem não pode conhecê-lo, embora tenha a tendência a procurá-lo. O absurdo é causado pela existência simultânea do Universo e da mente humana. Não se aplicam regras éticas, pois elas são baseadas em justificações; o "tudo é permitido" não é um alívio, mas o amargo reconhecimento de um fato. O que cabe ao homem é aceitar o absurdo como inevitável para ser livre, e levar uma vida de revolta contra ele. Qualquer sentido particular que o homem queira dar para sua própria vida tem que levar em conta o absurdo. Nome proeminente: Camus.
niilismo: não existe o sentido da vida. O Universo e a existência humana não têm significado, propósito ou valor intrínseco. Nome proeminente: Nietzsche.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Altruísmo, missão ou glória
por Alberto Ronconi
Quando temos um entendimento bombástico sobre o mundo, que nos faz sentirmos mais evoluídos que antes, surge a necessidade de compartilhá-lo com o resto da humanidade, para que os demais desfrutem de nossa compreensão mais aguçada.
*
A certeza que vamos deixar de existir no mundo, ao menos fisicamente, aumenta com o passar dos anos. Paulatinamente vamos nos preocupando com um legado, algo de inovador e positivo a deixar na Terra para que nossa existência nela não seja em vão. Qualquer coisa que facilite, alegre ou adicione novas perspectivas às vidas das pessoas, mas que sejamos lembrados pelos que nos sucederem.
*
Parte importante da satisfação do ser humano médio é ser reconhecido. Exalarmos sucesso, glória, importância, ou ao menos os demais pensarem que somos superiores e especiais em algo. Infeliz daquele que está na escala mais baixa, que admira ou inveja os outros nos mais diversos aspectos e não é admirado ou invejado em nenhum sequer - é como se sua existência ou não fosse completamente insignificante. Quantos momentos difíceis da vida são suportados ao pensarmos que sempre há alguém em situação pior que a nossa.
O instinto quer exibir a glória como um troféu. A mente, quando se percebe efêmera, quer se eternizar, cumprindo uma missão. E uma parte nobre do ser humano quer apenas ajudar, ainda que anonimamente, e sente o maior prazer nesse altruísmo.
Como se confundem esses três comportamentos! Muitas vezes estamos em um deles e de repente resvalamos imperceptivelmente para outro, numa sequência cíclica que varia conforme nosso estado psicológico! Aí surge a dúvida: será que estamos buscando a razão de nossa vida, ou apenas a fama? Será que estamos melhorando o mundo, ou apenas causando poluição com nossas ideias rasas?
Quando temos um entendimento bombástico sobre o mundo, que nos faz sentirmos mais evoluídos que antes, surge a necessidade de compartilhá-lo com o resto da humanidade, para que os demais desfrutem de nossa compreensão mais aguçada.
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A certeza que vamos deixar de existir no mundo, ao menos fisicamente, aumenta com o passar dos anos. Paulatinamente vamos nos preocupando com um legado, algo de inovador e positivo a deixar na Terra para que nossa existência nela não seja em vão. Qualquer coisa que facilite, alegre ou adicione novas perspectivas às vidas das pessoas, mas que sejamos lembrados pelos que nos sucederem.
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Parte importante da satisfação do ser humano médio é ser reconhecido. Exalarmos sucesso, glória, importância, ou ao menos os demais pensarem que somos superiores e especiais em algo. Infeliz daquele que está na escala mais baixa, que admira ou inveja os outros nos mais diversos aspectos e não é admirado ou invejado em nenhum sequer - é como se sua existência ou não fosse completamente insignificante. Quantos momentos difíceis da vida são suportados ao pensarmos que sempre há alguém em situação pior que a nossa.
O instinto quer exibir a glória como um troféu. A mente, quando se percebe efêmera, quer se eternizar, cumprindo uma missão. E uma parte nobre do ser humano quer apenas ajudar, ainda que anonimamente, e sente o maior prazer nesse altruísmo.
Como se confundem esses três comportamentos! Muitas vezes estamos em um deles e de repente resvalamos imperceptivelmente para outro, numa sequência cíclica que varia conforme nosso estado psicológico! Aí surge a dúvida: será que estamos buscando a razão de nossa vida, ou apenas a fama? Será que estamos melhorando o mundo, ou apenas causando poluição com nossas ideias rasas?
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Como deixar um legado?
por Alberto Ronconi
Dentre as pessoas que têm um grande objetivo, este é um dos principais. Afinal nossa passagem pelo mundo é efêmera, um piscar de olhos no tempo cósmico. Se não deixarmos um legado, tudo o que fomos na vida terrestre morrerá conosco. E se conseguirmos, de certa forma nos tornaremos imortais, pois uma parte de nós continuará presente indefinidamente.
Mas surge a primeira questão: todos deveriam deixar um legado? Isso é logicamente improvável, pois pouquíssimos são os que se destacam no mundo. Por mais que todo mundo tente, talvez um em um milhão consiga ter suas ideias conhecidas e constantemente recordadas um século depois de sua morte. (Seguindo esta hipótese, daqui 100 anos continuarão importantes ou influentes apenas 7 mil das pessoas que estão vivas hoje.)
Ser recordado durante 100 anos e depois esquecido também não parece algo muito diferente de ser recordado apenas durante a vida. O impacto causado no mundo teria que ser forte o bastante para durar milhares de anos.
Mas atualmente produzem-se milhares de filmes, músicas, pinturas, livros, filosofias todos os anos. A quantidade de informação criada por uma geração vem crescendo exponencialmente, e logo será impossível que se conheça tudo o que de importante foi criado desde o surgimento do homo sapiens. Os pioneiros, como Platão, Newton, Shakespeare, da Vinci, Beethoven, jamais serão esquecidos. Mas os que apenas deram sequência a essas ideias inovadoras tenderão gradualmente a se fundir em uma grande multidão. E não há como todo mundo supor que produzirá impacto igual ao dos grandes nomes.
Um bom ator de teatro é esquecido muito rapidamente, já que não deixa registros físicos. Mas um de cinema também não será conhecido quando existir uma coleção de um milhão de filmes na humanidade.
Se uma pessoa faz um bem a outra, pode causar grande impacto a curto prazo. Mas com o passar dos anos isso vai se atenuando, à medida que surgem novas necessidades. Até salvar uma vida pode ser algo com pouco impacto no longo prazo, se a pessoa salva não produzir nada que mude o mundo.
Educar bem os filhos apenas passa a responsabilidade de deixar um legado para as futuras gerações.
A conclusão é que alguma filosofia precisa consolar os bilhões que serão irremediavelmente apagados da história dentro de mil anos, um tempo tão curto que representa menos de um décimo de milionésimo da história do Universo.
Dentre as pessoas que têm um grande objetivo, este é um dos principais. Afinal nossa passagem pelo mundo é efêmera, um piscar de olhos no tempo cósmico. Se não deixarmos um legado, tudo o que fomos na vida terrestre morrerá conosco. E se conseguirmos, de certa forma nos tornaremos imortais, pois uma parte de nós continuará presente indefinidamente.
Mas surge a primeira questão: todos deveriam deixar um legado? Isso é logicamente improvável, pois pouquíssimos são os que se destacam no mundo. Por mais que todo mundo tente, talvez um em um milhão consiga ter suas ideias conhecidas e constantemente recordadas um século depois de sua morte. (Seguindo esta hipótese, daqui 100 anos continuarão importantes ou influentes apenas 7 mil das pessoas que estão vivas hoje.)
Ser recordado durante 100 anos e depois esquecido também não parece algo muito diferente de ser recordado apenas durante a vida. O impacto causado no mundo teria que ser forte o bastante para durar milhares de anos.
Mas atualmente produzem-se milhares de filmes, músicas, pinturas, livros, filosofias todos os anos. A quantidade de informação criada por uma geração vem crescendo exponencialmente, e logo será impossível que se conheça tudo o que de importante foi criado desde o surgimento do homo sapiens. Os pioneiros, como Platão, Newton, Shakespeare, da Vinci, Beethoven, jamais serão esquecidos. Mas os que apenas deram sequência a essas ideias inovadoras tenderão gradualmente a se fundir em uma grande multidão. E não há como todo mundo supor que produzirá impacto igual ao dos grandes nomes.
Um bom ator de teatro é esquecido muito rapidamente, já que não deixa registros físicos. Mas um de cinema também não será conhecido quando existir uma coleção de um milhão de filmes na humanidade.
Se uma pessoa faz um bem a outra, pode causar grande impacto a curto prazo. Mas com o passar dos anos isso vai se atenuando, à medida que surgem novas necessidades. Até salvar uma vida pode ser algo com pouco impacto no longo prazo, se a pessoa salva não produzir nada que mude o mundo.
Educar bem os filhos apenas passa a responsabilidade de deixar um legado para as futuras gerações.
A conclusão é que alguma filosofia precisa consolar os bilhões que serão irremediavelmente apagados da história dentro de mil anos, um tempo tão curto que representa menos de um décimo de milionésimo da história do Universo.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Filosofia do século XXI e além
por Alberto Ronconi
O homem da idade da pedra provavelmente só se preocupava com alimentos e abrigo. Certamente devia ser muito excitante e recompensador quando obtinha sucesso absoluto, mas não havia muito tempo para divagar; logo era necessário recomeçar a jornada. Isso devia manter sua mente ocupada, de maneira a não sobrar espaço para preocupações existenciais.
Hoje já começamos tendo de graça tudo o que os antigos trabalhavam a vida toda para conseguir. A rede de proteção do estado e os baixos preços da produção em massa nos fornecem comida em abundânica, alguma assistência à saúde na forma de vacinas e remédios simples, e ao menos um lugar para dormir. Homens do serviço público fazem nossa segurança, e sempre é possível encontrar educação gratuita em algum nível. Mais que isso: a Wikipedia, livremente acessível em todos os lugares e idiomas, disponibiliza mais informação que uma livraria inteira.
Ou seja, qualquer pessoa pode abdicar completamente do trabalho remunerado e mesmo assim viverá com relativo conforto, e terá um acesso infinitamente maior ao conhecimento se comparada ao homem das cavernas.
Mas o que vemos são muitos trabalhando incansavelmente para aumentar seu poder de consumo. Torna-se inclusive cada vez mais difícil trabalhar o suficiente para acompanhar um padrão médio de consumo que só cresce.
A filosofia do século 21 é:
Em algumas décadas isso tudo perderá o sentido. Quando a maioria da sociedade cansar dessa vida - e essa mudança de fase acontece desde sempre - novas questões ocuparão o centro da atenção humana.
A filosofia do futuro poderá ser:
O homem da idade da pedra provavelmente só se preocupava com alimentos e abrigo. Certamente devia ser muito excitante e recompensador quando obtinha sucesso absoluto, mas não havia muito tempo para divagar; logo era necessário recomeçar a jornada. Isso devia manter sua mente ocupada, de maneira a não sobrar espaço para preocupações existenciais.
Hoje já começamos tendo de graça tudo o que os antigos trabalhavam a vida toda para conseguir. A rede de proteção do estado e os baixos preços da produção em massa nos fornecem comida em abundânica, alguma assistência à saúde na forma de vacinas e remédios simples, e ao menos um lugar para dormir. Homens do serviço público fazem nossa segurança, e sempre é possível encontrar educação gratuita em algum nível. Mais que isso: a Wikipedia, livremente acessível em todos os lugares e idiomas, disponibiliza mais informação que uma livraria inteira.
Ou seja, qualquer pessoa pode abdicar completamente do trabalho remunerado e mesmo assim viverá com relativo conforto, e terá um acesso infinitamente maior ao conhecimento se comparada ao homem das cavernas.
Mas o que vemos são muitos trabalhando incansavelmente para aumentar seu poder de consumo. Torna-se inclusive cada vez mais difícil trabalhar o suficiente para acompanhar um padrão médio de consumo que só cresce.
A filosofia do século 21 é:
- consuma tudo aquilo que tiver um bom custo benefício para lhe dar prazer
- se realize encontrando um trabalho desafiante e motivador
- consuma viagens a lugares distantes para ampliar seus horizontes
- no pouco tempo que sobrar, relaxe e fale bobagens com as pessoas que você gosta
- absorva ao máximo as informações aleatórias que cruzarem seu caminho, para não se alienar
- troque dinheiro por conforto, ainda que para conseguir este dinheiro seja necessário abrir mão do mesmo conforto
- para não ficar triste na velhice, continue trabalhando ou desenvolva um hobby para passar o tempo
Em algumas décadas isso tudo perderá o sentido. Quando a maioria da sociedade cansar dessa vida - e essa mudança de fase acontece desde sempre - novas questões ocuparão o centro da atenção humana.
A filosofia do futuro poderá ser:
- trabalhe o mínimo possível, somente para ter o necessário para a subsistência
- não perca muito tempo com hobbies inúteis
- divirta-se produtivamente com as pessoas que você gosta
- dedique a maior parte do tempo para, com tranquilidade e motivação, pensar, ampliar sua visão sobre si mesmo e o mundo, e descobrir o sentido da vida
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O prazer e o vício
por Alberto Ronconi
Quando uma coisa é boa, queremos fazer sempre.
Se descobrimos que é um grande prazer comer bem, comer o de sempre fica sem graça.
Logo começamos a comer bem todos os dias, se possível mais de uma vez.
Mas o problema é que isso deixará de ser um prazer, e vai se tornar quase uma obrigação.
Não sentiremos mais a felicidade que é um sabor delicadamente inesperado bem na hora da fome.
E voltar a comer no padrão de antes soará insuportável.
Portanto, uma questão crucial para a manutenção dos pequenos bons momentos, que são os tijolos da felicidade:
Como se entregar apenas temporariamente a um prazer, na certeza de que é sua inconstância que o torna tão bom?
Quando uma coisa é boa, queremos fazer sempre.
Se descobrimos que é um grande prazer comer bem, comer o de sempre fica sem graça.
Logo começamos a comer bem todos os dias, se possível mais de uma vez.
Mas o problema é que isso deixará de ser um prazer, e vai se tornar quase uma obrigação.
Não sentiremos mais a felicidade que é um sabor delicadamente inesperado bem na hora da fome.
E voltar a comer no padrão de antes soará insuportável.
Portanto, uma questão crucial para a manutenção dos pequenos bons momentos, que são os tijolos da felicidade:
Como se entregar apenas temporariamente a um prazer, na certeza de que é sua inconstância que o torna tão bom?
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