Há 13 bilhões de anos nenhuma entidade divina interfere no mundo. As condições iniciais foram dadas, algumas poucas constantes fundamentais da Física foram ajustadas, e o resto avançaria por si só. Em algum momento seriam formadas galáxias, sistemas planetários, mundos habitáveis. E depois, com probabilidade estatisticamente relevante, a matéria viraria vida e esta gradualmente adquiriria inteligência, até conseguir perguntar de onde veio e para onde vai.
Era esperado que mil teorias fossem propostas para explicar origem e destino do mundo, mas as equivocadas implacavelmente ruiriam com a ação do tempo, por longo que fosse. Nunca haveria oficialmente o certo ou errado, mas se chegaria a maneiras de viver com menos sofrimento e de evoluir com eficiência. Quando os seres inteligentes decidissem se aventurar, poderiam ganhar controle sobre as leis a que sempre estiveram sujeitos. Experimentariam reprogramar ao mundo e a si mesmos para atender a seus interesses, e para imprimir sentido às suas vidas. Quando conseguissem ser como deuses, imortais e capazes de criar mundos, sua expressão máxima teria sido alcançada.
sábado, 9 de junho de 2012
O risco da vida simples
Vem crescendo nas mídias alternativas um chamado à vida simples, segundo a qual o consumo vai para o fim da hierarquia e o bordão principal lê-se "deseje aquilo que já possui".
O modelo de vida baseado em ambições, majoritariamente vigente, tem seu ponto positivo: fornece um sentido para os engajados na ascensão social. É somente quando as metas de uma vida foram cumpridas que começam a surgir crises existenciais, percepção do absurdo e uma busca por respostas fundamentais.
Mas, para os adeptos da indiferença em relação ao poder do capital, pode acontecer dessas indagações perturbadoras surgirem logo no início da vida adulta. Uma vez que já se está satisfeito com o mínimo necessário, o que fazer agora? Para onde direcionar os escassos grãos da ampulheta humana?
O modelo de vida baseado em ambições, majoritariamente vigente, tem seu ponto positivo: fornece um sentido para os engajados na ascensão social. É somente quando as metas de uma vida foram cumpridas que começam a surgir crises existenciais, percepção do absurdo e uma busca por respostas fundamentais.
Mas, para os adeptos da indiferença em relação ao poder do capital, pode acontecer dessas indagações perturbadoras surgirem logo no início da vida adulta. Uma vez que já se está satisfeito com o mínimo necessário, o que fazer agora? Para onde direcionar os escassos grãos da ampulheta humana?
Livre arbítrio no materialismo absoluto
Se nós e o mundo somos puramente matéria, não havendo um espírito metafísico acoplado a nossos corpos físicos, proponho a hipótese de que o livre arbítrio não existe.
Isso sem entrar no mérito de teorias segundo as quais nossas ações são produto da genética ou de acontecimentos passados.
Átomos e partículas subatômicas têm seu comportamento ditado por leis das quais não podem escapar. Ainda que seja virtualmente impossível calcular o efeito combinado das 1029 partículas do cérebro humano. Ainda que haja um predomínio de comportamentos aleatórios oriundos do Princípio da Incerteza. Pode haver uma imprevisibilidade intrínseca, insuperável pela melhor calculadora, mas não há ingerência humana na mecânica dos átomos que formam seu próprio pensamento. Somos comandados por uma física alheia à nossa vontade - uma física que em macroescala forma a nossa vontade.
Isso sem entrar no mérito de teorias segundo as quais nossas ações são produto da genética ou de acontecimentos passados.
Átomos e partículas subatômicas têm seu comportamento ditado por leis das quais não podem escapar. Ainda que seja virtualmente impossível calcular o efeito combinado das 1029 partículas do cérebro humano. Ainda que haja um predomínio de comportamentos aleatórios oriundos do Princípio da Incerteza. Pode haver uma imprevisibilidade intrínseca, insuperável pela melhor calculadora, mas não há ingerência humana na mecânica dos átomos que formam seu próprio pensamento. Somos comandados por uma física alheia à nossa vontade - uma física que em macroescala forma a nossa vontade.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Em que lugar do mundo está o segredo?
Temos o sonho de viajar para lugares distantes, para adquirir experiências e sabedoria.
Pois só numa viagem exótica e intensa poderíamos entrar em contato com conhecimentos que não devem estar disponíveis nesta terra banal onde nascemos.
Então porque não ficar aqui mesmo e fazer um esforço genuíno para adquirir domínio sobre nós mesmos, conseguindo: acordar cedo sem preguiça, fazer exercício sem procastinação, melhorar na arte de argumentar e ter ideias, controlar a irritabilidade, impaciência e inveja, vencer o egoísmo, etc.?
São estes problemas prioritários, cuja solução provavelmente prescinde de uma fantástica circum-navegação.
Pois só numa viagem exótica e intensa poderíamos entrar em contato com conhecimentos que não devem estar disponíveis nesta terra banal onde nascemos.
Então porque não ficar aqui mesmo e fazer um esforço genuíno para adquirir domínio sobre nós mesmos, conseguindo: acordar cedo sem preguiça, fazer exercício sem procastinação, melhorar na arte de argumentar e ter ideias, controlar a irritabilidade, impaciência e inveja, vencer o egoísmo, etc.?
São estes problemas prioritários, cuja solução provavelmente prescinde de uma fantástica circum-navegação.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Experimento Mental - Contribuição para o conhecimento
Seja uma escala do conhecimento possível sobre o mundo, de 0 a 100.
0 significa ignorância total, menos conhecimento que um animal que apenas usa instintos básicos.
100 significa toda a sabedoria possível de ser assimilada pela espécie humana.
Suponha-se que o conjunto da humanidade atual esteja em 50, embora cada pessoa individualmente esteja necessariamente abaixo deste índice.
Será que é mais virtuoso:
- dedicar todos os esforços para elevar os conhecimentos da sociedade para 50,001?
- ou dedicar todos os esforços para elevar o conhecimento de várias pessoas de 25 para 30?
segunda-feira, 21 de maio de 2012
O sentido da vida descoberto pela intersecção de conjuntos
| Esta é nossa única vida | Viveremos para sempre |
| Deveríamos corrigir nossas imperfeições como a inveja, a preguiça, a timidez e a irritabilidade para termos uma vida mais tranquila e feliz. | Deveríamos corrigir nossas imperfeições como a inveja, a preguiça, a timidez e a irritabilidade para que esta vida seja melhor aproveitada e para que essas deficiências fiquem superadas para as próximas vidas. |
| Devemos buscar conhecimento (das ciências naturais e sociais, habilidades artísticas, argumentação filosófica, de nós mesmos) para que a vida seja mais plena, para termos mais poderes, para não sermos enganados por aproveitadores, para termos segurança financeira, e porque aprender coisas novas traz felicidade. | Devemos buscar conhecimento (das ciências naturais e sociais, habilidades artísticas, argumentação filosófica, de nós mesmos) para realizarmos algo útil nesta vida e para evoluirmos para as vidas futuras. |
| Devemos deixar alguma contribuição para o mundo como forma de gratidão a todos os que vieram antes de nós e nos trouxeram conforto e explicações sobre o funcionamento de tudo. | Devemos deixar alguma contribuição para o mundo como agradecimento e para encontrar um mundo melhor nas nossas futuras vidas. |
| Devemos evitar o vício em comida, sexo, diversão e psicotrópicos porque o ser humano torna-se insaciável; a felicidade nunca é atingida, como a cenoura pendurada à frente do coelho. No final acabaremos arrependidos. | Devemos evitar o vício em comida, sexo, diversão e psicotrópicos para sobrar mais tempo para o próprio aperfeiçoamento e porque a verdadeira vida é a espiritual, e não a física. |
| Devemos nos propor a passar bons momentos com pessoas de quem gostamos, porque isso traz felicidade. | Devemos nos propor a passar bons momentos com pessoas de quem gostamos, porque isso traz felicidade e para criar vínculos que poderão perdurar indefinidamente. |
Não se fazem mais gênios como antigamente?
Por que a esmagadora maioria das lendas artísticas da humanidade criou suas obras há séculos atrás?
Mozart (1756-1791), Beethoven (1770-1827), Chopin (1810-1849) ainda não foram superados, pelo menos como ícones de genialidade. Mas hoje mais pessoas estudam música erudita, há abundância de recursos econômicos e técnicos, além de uma teoria mais sólida e mais mestres virtuosos para ensinar.
Sheakespeare (1564-1616), Dostoiévski (1821-1881), Cervantes (1547-1616), Machado de Assis (1839-1908) ainda são considerados inigualáveis pela cultura contemporânea. E hoje há bilhões de indivíduos alfabetizados, com acesso a brutal conteúdo literário e facilidades tecnológicas para escrever.
Da Vinci (1452-1519), Michelangelo (1475-1564), Van Gogh (1853-1890) são os que têm as obras mais celebradas, mais invaloráveis. Mas nunca houve tantos pintores amadores, profissionais ou acadêmicos no mundo como hoje.
Algumas hipóteses:
Mozart (1756-1791), Beethoven (1770-1827), Chopin (1810-1849) ainda não foram superados, pelo menos como ícones de genialidade. Mas hoje mais pessoas estudam música erudita, há abundância de recursos econômicos e técnicos, além de uma teoria mais sólida e mais mestres virtuosos para ensinar.
Sheakespeare (1564-1616), Dostoiévski (1821-1881), Cervantes (1547-1616), Machado de Assis (1839-1908) ainda são considerados inigualáveis pela cultura contemporânea. E hoje há bilhões de indivíduos alfabetizados, com acesso a brutal conteúdo literário e facilidades tecnológicas para escrever.
Da Vinci (1452-1519), Michelangelo (1475-1564), Van Gogh (1853-1890) são os que têm as obras mais celebradas, mais invaloráveis. Mas nunca houve tantos pintores amadores, profissionais ou acadêmicos no mundo como hoje.
Algumas hipóteses:
- hoje o estilo em voga é o pós modernismo. Os artistas atuais não produzem obras simples como antigamente, porque querem seguir o estilo da época em que estão vivendo. Por isso as novidades são ininteligíveis para os leigos
- qualquer jovem que queira se ilustrar em arte começa pelos clássicos, para depois chegar aos contemporâneos. Mas existe um acervo tão grande que uma vida não é suficiente para se apreciar tudo o que foi feito há séculos atrás e ainda sobrar tempo para dedicar aos contemporâneos
- os clássicos esgotaram todas as técnicas possíveis dentro de sua especialidade. O máximo que um artista atual consegue fazer são pequenas variações em cima dos pioneiros, ou obras disruptivas que não são digeridas facilmente
- os artistas antigos foram os primeiros, e como conseguiram se estabelecer bem com suas numerosas obras primas, criaram uma barreira natural à entrada de novos competidores. Algo semelhante com o que uma grande empresa faz, ao dificultar o crescimento de pequenos concorrentes
- o acervo artístico cresceu tanto que hoje é impossível conhecer e entender tudo, então todos ainda se apoiam nos clássicos para ser possível conversar sobre arte com o restante da humanidade
- alguns artistas de hoje virarão gênios que superarão os clássicos daqui a 200 anos, quando sua genialidade for aceita e assimilada. A historia e cíclica
- hoje a concorrência entre arte de qualidade é tão grande que a atenção da crítica e público ficam pulverizadas. Nenhum nome consegue se catapultar para o topo da história da humanidade
- as obras de hoje são superiores em relação às do passado, mas é necessário profundo conhecimento e anos de estudo para reconhecer isto. Assim, a grande massa leiga jamais lhes dará o valor que merecem, e ficará restrita ao que sua capacidade permite abarcar
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