Assim como foi caracterizada a sociedade do cansaço, podemos igualmente identificar que no tempo presente configura-se a sociedade da experiência.
A obrigação que todos se impõem de não deixar nenhuma lacuna no bingo das experiências possíveis acaba por ser fonte de ansiedade e insatisfação.
Paradoxalmente, mesmo os que logram viver um espectro de experiências impensável para o ser humano de um século atrás preocupam-se mais com o ainda não vivido, com o imperdível que eternamente os assombrará.
Repete-se cada vez mais que a vida é finita, e portanto seria um desperdício e um erro incorrigível deixar de ter as principais experiências do nosso tempo.
Se chegou na cidade uma nova sorveteria, que inclusive por muitos é considerada a melhor, não posso deixar de conhecê-la, ainda que isso signifique enfrentar longas filas.
Se uma banda que tornou-se famosa nos tempos antigos ainda se apresenta, preciso assistir, para no futuro poder dizer que presenciei um momento histórico que não existirá mais na história do mundo.
Se a maioria dos influenciadores fala como é surpreendente viajar para um país distante na Ásia, não posso morrer antes de conhecer este lugar, sob a pena de ficar sem vivenciar uma atmosfera única.
Viajar de trem, ver neve, ir para o Japão, fazer crossfit, comer pistache, ler os clássicos, se estressar no trabalho. É trabalhoso ser uma pessoa completa.
Antes de pensarmos em planejamento de vida, nossa agenda já está cheia com listas de experiências imperdíveis, sem as quais não atingiremos a plenitude do ser humano.
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