terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Conselhos ao estudante de Física

Estas dicas são principalmente para o aluno de graduação que está cursando bacharelado em Física, com habilidades normais.

Embora as notas de aula do professor, que geralmente consistem em um caderno (ou fotocópia de um) que espelha o quadro-negro, contenham aquilo que o professor mais dá valor, com o viés que ele talvez cobre em prova, para a carreira do estudante é muito importante ler o livro-texto de cada matéria. Para eleger um livro, um bom caminho é optar por aquele com mais críticas positivas na Amazon americana (nota boa e relativamente grande quantidade de avaliações). Os livros bem avaliados costumam ser os mais didáticos e inspiradores. Com eles, será possível ter uma fonte de referência que vai durar por mais tempo que o caderno, e além disso há a tendência de ser um material mais completo, já que o professor muitas vezes seleciona apenas alguns tópicos, com base em algum critério específico.

É prudente também evitar desviar muito os estudos para alguma outra área de interesse. Quem pretende se engajar na pesquisa acadêmica será prejudicado se estiver frequentando simultaneamente outro curso de graduação, ou então se dedicar tempo demais para estudar tópicos como economia, investimento na bolsa de valores, filosofia, etc. Cada um destes assuntos é bastante profundo, de forma que em uma vida não é possível abarcar tudo - isso para quem não tem a intenção de ser um generalista (que sabe de tudo um pouco), mas sim pretende ser um especialista (saber muito, mas de um tema específico). Uma site interessante que trata da dicotomia quantidade/qualidade é do Cal Newport (talvez os livros dele sejam mais completos - 1, 2).

Os cientistas de ponta, que realmente fazem progresso, costumam estudar várias horas por dia. Portanto, quem se contenta apenas com as aulas e o estudo mínimo para uma boa nota na prova está sendo ultrapassado por diversos alunos ao redor do mundo que, durante a graduação, procuram se aprofundar mais. Por exemplo, que tal ler todo o Feynman Lectures on Physics? É o mesmo assunto que já é ensinado, mas provavelmente visto de outra forma. Demanda tempo e calma na leitura, mas certamente irá solidificar os conceitos.

Para produzir motivação e expandir os horizontes, é proveitoso ler textos de divulgação científica. Blogs como Arstechica trazem matérias com o estado da arte de algumas áreas da Física, explicando os recentes artigos científicos de uma maneira acessível. Além disso, há muitos livros que são uma ótima fonte de estímulos, como o Surely You're Joking, Mr. Feynman!. Outros livros: O Andar do Bêbado, O Universo Elegante.

Para as questões que alguém possa ter vergonha de perguntar, por parecerem básicas demais (como por exemplo - é possível que o espaço-tempo se expanda mais rápido que a luz?), existem os fóruns na internet com respostas muito didáticas. Por exemplo, Stack Exchange. Nestes lugares encontra-se muita coisa inútil, mas em geral as informações importantes recebem muitas avaliações positivas, e acabam se destacando.

Da leitura dos parágrafos anteriores, percebe-se como é importante conseguir ler textos em inglês. Quem pretende ser um pesquisador em Física em algum momento terá que ser fluente na leitura. E conseguir a fluência é um processo trabalhoso, que demanda muito tempo de leituras mal compreendidas, até que se consiga entender um texto técnico rapidamente. Por isso, quanto antes se começar, mais cedo serão colhidos os benefícios, já que a escalada do aprendizado terá que ser encarada mais cedo ou mais tarde.

Física experimental vs. física teórica - é comum já na graduação ter predileção por uma das áreas. No primeiro caso, diminui-se a atenção para as deduções algébricas e demonstrações. No segundo, dá-se menos valor para as técnicas de análise de erros, ou para as soluções numéricas. Entretanto, é preciso conhecer profundamente todas estas áreas (nos limites da graduação), pois pode-se descobrir alguma vocação inesperada. Ou ainda, conhecimento de uma delas pode influenciar na solução de problema de outra. Afinal, num acelerador de partículas não há físicos experimentais programando computadores, analisando dados estatísticos, calculando analiticamente se é possível que determinado equipamento cause determinado efeitos nos resultados? E um físico teórico não precisa enumerar os efeitos verificáveis de uma determinada teoria, dentro dos limites experimentais disponíveis?

Mesmo quem futuramente resolver mudar de área e tentar uma eventual carreira no mercado financeiro (ver Early Retirement Extreme, ou algum blog sobre "Quants"), em geral só terá as condições necessárias para o sucesso se estiver disposto a uma imersão total nas matérias estudadas na graduação, pois na prática o que importa é saber enfrentar problemas em aberto, ter a visão do todo, conseguir relacionar diferentes áreas do conhecimento, construir a persistência para ler artigos científicos, etc.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Compatibilismo (Compatibilism)

Na novilíngua de Orwell existem palavras como "negrobranco"; que tal adicionar determinismolivrearbítrio?

In Orwell's newspeak there are words like "blackwhite"; how about adding determinismfreewill?